sexta-feira, 18 de março de 2011

dossiê das girafas, não há uma



Uma girafa nunca há. Estas, assim, consentem-se a designações entre si pelas alturas: entre os gêneros e para o líder. O macho parece-se com o humano que ama, sendo de maiores corpos que a fêmea. A proteção. Despenca-se muito amor para reconhecer o mais alto entre as girafas: é difícil sentir-se protegido quando se possui dessa altura. Protege um grupo de girafas aquele que quer olhar a todos os lados. O humano possui mais vértebras que a girafa. É arriscado ventar, deve haver sempre o macho que ore arrependido aos céus. O corpulento macho inocente. A girafa deve permanecer iludida e é curiosa: despenca-se muito amor para desenhar uma girafa: crianças e senhorinhas de bem, entretanto, fazem-no com propriedade. Pois é difícil sentir-se protegido quando o vento, curiosamente, deserta-se: há de voltar – dizem.
As girafas pastam ou recolhem águas na posição dum cachorro que brinca: abaixam sobre abertas as patas frontais e alegram-se. O pasto e as águas são elementos para a ilusão: as girafas aparentam humanos que amam.
Sobretudo, este fato insistente, verdadeiro: a girafa é um animal doméstico. Todavia, desvia-as de nossos quintais a improvável paciência. É necessário ter demasiada paciência para as coisas que ocupam demasiado espaço. Despenca-se assaz amor para se criar a girafa: crianças e senhorinhas de bem, conquanto em idades inapropriadas para despencar paciência aos homens, tomaram-nas por desenho. Amáveis, assaz – dizem.



Nelson G.

9 comentários:

cduxa disse...

Este blog tem um quê de mistério. De savana, quintal ou mato. Feito de bichos e palavras. E espantador de emoções.Lindo.

MOISÉS POETA disse...

TO COLADO !

ABRAÇOS!

Rubens da Cunha disse...

oi Nelson

obrigado pela visita... sem querer trocar impressões e já trocando, esse teu universo animal literário me instigou muito também...

abraços
Rubens

Carla Diacov disse...

‘Se tiro de mim os olhos da girafa,
Ponho em mim os olhos da crocodila.
Porque sou a Virgem Maria.
As moscas vêem uma grande poeira de pimenta
Mas não são a Virgem Maria.
Eu olho para os crimes das folhas,
Para o pungente orgulho das vespas,
Para o burro indiferente, louco de lua dupla,
E para o estábulo onde o planeta devora suas pequenas crias.
Porque sou a Virgem Maria.’

A Virgem em resposta a Lorca em
LUA E PANORAMA DOS INSECTOS
(O poeta pede ajuda à Virgem)

Carla Diacov disse...

cadê,
gatuno!?

CAROLINA CAETANO disse...

Por mode quê que o Ésquilo nunca coisa?

Carla Diacov disse...

deve tá cas capivarim e as lontrim montando barragens...mas e ocê, fi?
gatinho banguela!!!



comé que vai tua morta déla?

Julinha D. disse...

A girafa quer uma lasca desse negócio que chamamos de PECADO.
A girafa precisa pecar, mas não.
É que da girafa o pecado não alcança o vão.
Já eu, peco a vida, no embalo da minha táta, amando sua dona (nada a ver com sudorese, PELAMORDEDEUS) feito cã.

Bípede Falante disse...

Deve ser muito bom ter um pescoço para muitos colares e poucas coleiras! Muito!
beijo :)